O BRASILEIRO É OU NÃO PREVIDENTE?

Diariamente assistimos nos noticiários pessoas desrespeitando as regras básicas para evitar o contágio com o COVID 19, como utilizar mascarás e manter o distanciamento social. Além disto ainda existem pessoas que não acreditam na pandemia, dizem que é uma bobagem e infelizmente isto acontece em diferentes regiões do país, classes sociais e credos. Por isto, podemos dizer, que esta é uma das razões do Brasil estar em segundo lugar no número de mortos e infectados no mundo.

Mas por que fazemos isto? O Brasil tem hoje uma população de aproximadamente 210 milhões de pessoas, sendo que 70% estão concentradas nas regiões sudeste e nordeste. Deste total, temos 12 milhões de desempregados e 7% de analfabetos, estima-se que pouco mais de 20% da população brasileira possui algum tipo de seguro, ou seja, quase 80% da população decidiu assumir os riscos ao invés de terceiriza-los para uma seguradora. É impressionante como não levamos em conta a estatística na tomada de decisão em nossas vidas, pois existem vários riscos, que estatisticamente tem possibilidade de acontecer e assumimos, como por exemplo: incêndio, assalto, tempestade, furto, acidente, saúde e vida. Estes riscos existem e não nos prevenimos deles ou deixamos para resolver “amanhã”.

Normalmente não ficamos pensando em problemas e riscos diariamente, o que é natural, mas eventualmente precisaríamos analisar os riscos que assumimos em nossas vidas, muitas vezes sem saber a dimensão deles. Vejam por exemplo a recente passagem do “ciclone bomba” no sul do país, que deixou mais de 10 vítimas fatais e muitos prejuízos para pessoas físicas e jurídicas, e daí fica a pergunta: os atingidos por esta tragédia tinham seguro?

Parece que o brasileiro não gosta de pagar coisas que não pode usufruir de imediato, veja a previdência privada, quantos brasileiros fazem um planejamento previdenciário adequado e no momento certo? Normalmente pensam nisto somente quando estão próximos da idade de aposentar. Alguns conseguem a proeza de não contribuir nem para o INSS!! Importante destacar que a nossa expectativa de vida está crescendo enquanto nossa taxa de fecundidade (filhos por mulher) decrescendo. Com este cenário certamente teremos no futuro mais idosos que jovens e um grande problema previdenciário, que deverá ser enfrentado pela sociedade.

E você, num mundo de pandemias e ciclones, assume os riscos da sua vida ou terceiriza?

Arnaldo Serighelli